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Congresso contribui para reconhecimento da Semana Santa como itinerário cultural

O Primeiro Congresso organizado pela Rede Europeia das Celebrações da Semana Santa e da Páscoa terminou, com balanço positivo, tendo contribuído para um conhecimento mais profundo destas celebrações.

 

 

«Braga e a sua Semana Santa são reflexo do imaginário ligado à Paixão de Cristo»

 

O presidente da Comissão da Quaresma e Solenidades da Semana Santa de Braga, cónego Avelino Amorim, defendeu, ontem, que o "Primeiro Congresso Semana Santa, um Património Comum" constituiu «mais um passo adiante, um passo seguro e significativo» para o reconhecimento das celebrações da Semana Santa e Páscoa de toda a Europa como itinerário cultural declarado pelo Conselho da Europa.

 

O cónego Avelino Amorim falava durante o encerramento deste primeiro congresso que juntou online nove reconhecidos oradores de três países, proporcionando 23 comunicações que revelaram elementos históricos e rituais partilhados em vários pontos da Europa, mas também características únicas das tradições destes países onde se celebra a Semana Santa.
Durante a sua intervenção, o presidente da Comissão da Quaresma e Solenidades da Semana Santa de Braga fez votos para que este conjunto de celebrações se materialize em breve enquanto itinerário cultural.

 

Recorde-se que um dos principais objetivos da Rede Europeia de Celebrações da Semana Santa e Páscoa passa precisamente por candidatar as celebrações da Semana Santa e Páscoa de toda a Europa a um Itinerário Cultural, do Conselho da Europa.

 

O programa Itinerários Culturais do Conselho da Europa foi lançado em 1987 pelo Conselho da Europa com o objetivo de demonstrar, através da viagem no espaço e no tempo, como o património cultural europeu se desenvolve através das fronteiras.

 

Assim considera-se que um itinerário cultural europeu é uma rota que abarca países e regiões e que se organiza em torno de um tema cuja história, interesse artístico e cultural é visivelmente europeu, quer pela sua localização geográfica quer pelo seu significado.

 

O cónego Avelino Amorim sustentou que a Semana Santa de Braga, em complemento com as práticas da Quaresma e do tempo Quaresmal, «além do valor patrimonial, turístico, cultural e histórico mantém o seu valor como itinerário religioso e espiritual válido e primeiro».

 

Durante o congresso o cónego Avelino Amorim apontou Braga e a sua Semana Santa como «reflexo de um imaginário ligado à Paixão de Cristo». Segundo o responsável «este imaginário também se expressou de maneira sublime» no Santuário do Bom Jesus do Monte, recentemente reconhecido como Património da Humanidade pela UNESCO.

 

No que respeita às razões que levaram Braga a ser eleita, no último mês, pela European Best Destination, como Melhor Destino Europeu para visitar em 2021, o presidente da Comissão da Quaresma não tem dúvidas que «uma das quais, pela sua singularidade, é a celebração da Semana Santa».

 

«A importância e a dignidade da Semana Santa de Braga também nos levou a abraçar, desde a primeira hora, este projeto da Rede Europeia, cuja ata fundacional, se assinou na nossa cidade, precisamente ao concluir a segunda assembleia», referiu o responsável.

 

O cónego Avelino Amorim avança que a Comissão «acredita muito firmemente» no projeto da Rede Europeia das Celebrações da Semana Santa e da Páscoa, «porque nos desafia a valorizar o património histórico, cultural e religioso que nos legaram as gerações passadas, e porque nos permite colaborar com eventos similares de outros países e localidades europeias».

 

 

Rede Europeia de Celebrações quer ser «lugar de referência a nível internacional»


A presidente da Rede Europeia de Celebrações da Semana Santa e Páscoa, Rosário Andújar afirmou, ontem que o principal objetivo da Rede é ser «um lugar cultural de referência a nível internacional».

 

«Ânimo para continuar, somando esforços com um único propósito: fazer desta Rede um lugar cultural de referência de âmbito internacional», apelou esta responsável.
Durante o encerramento do "Primeiro Congresso Semana Santa, um Património Comum" Rosário Andújar considerou, em jeito de balanço que «este espaço de encontro serviu para deliberar, conhecer, refletir e aprender».

 

Referindo-se à diversidade de celebrações existentes não apenas na Europa, mas também nos próprios municípios espanhóis, a responsável vincou a importância de conservar este património imaterial.

 

«Temos obrigação de o proteger face às tentativas de homozeneização, uma vez que a riqueza deste património reside precisamente na diversidade do património histórico e artístico e demais tradições», sutentou, vincando o papel das confrarias e irmandades que tornam possível a vivência deste património.

 

Rosario Andrújar salientou também o papel do turismo «que afortunadamente faz parte deste património que estamos a tentar preservar e divulgar»
«Salvaguardar o nosso património, as nossas tradições, o nosos modo de expressar a Paixão e Morte de Jesus Cristo, a passagem deste testemunho de geração em geração é a nossa principal motivação», argumento.

 

A responsável admitiu também que este primeiro congresso «pode ser a principal atividade no caminho para alcançar a certificação do Instituto de Itinerários Culturais e as marca que comprometa todos os intervenientes».

 

Considerou também que deste encontro saíram conclusões que poderão enriquecer esta Rede e afirmou o regozijo por poder dar espaço a muitos dos investigadores que dedicam o seu tempo ao estudo da Semana Santa e da Páscoa.

 

A presidente da Rede fez votos para que a próxima edição do congresso seja presencial e agradeceu o conhecimento que foi oferecido pelos palestrantes desta conferência.

 

«Queremos que esta Rede se afirme como a plataforma principal na promoção aos turistas de todos os países que estejam interessados nestas celebrações. Por isso aguardamos que ela continue a fortificar-se no futuro», afirmou o representante de Malta, fazendo votos de que, uma vez controlada a pandemia as celebrações retomem o seu ritmo.

 

 

Coordenador do Comité Científico apela ao trabalho colaborativo e ao intercâmbio

 

O coordenador do Comité Científico da Rede Europeia das Celebrações da Semana Santa e da Páscoa, Júlio Grande fez, ontem,um balanço muito positivo deste primeiro encontro, vincando o grande número de comunicações que se verificou durante este Congresso. Por esse motivo apelou ao trabalho colaborativo entre países e ao intercâmbio de conhecimentos, preservando, porém as idiossincrasias, e lutando contra o risco de homegeneização.

 

As referidas intervenções permitiram agrupar diversas manifestações culturais, desde o património cultural e arquitetónico às confrarias, mas segundo o investigador «temos pela frente ainda um belíssimo campo de investigação e difusão para dar seguimento a toda esta realidade».

 

«O desafio é abordar todo este estudo de uma maneira colaborativa, fazendo um intercâmbio de informação e de metodologias, num esforço coletivo para avançar no futuro», argumentou.

 

Na sessão de encerramento, depois de dois dias de trabalhos exclusivamente online, marcaram também presença Patrizia Nardi, especialista na valorização do património cultural e candidaturas da Unesco, George Agius, coordenador em representação da Birgu TownHall em Malta deixou votos de que «a Rede possa ser instrumental na promoção das tradições». e Joze Stukl, representante da celebração da Páscoa de Skofja Loka na Eslovénia.

 
 
Braga, 14 de março de 2021
(C) Diário do Minho