Apresentado o programa para 2026

De 29 de Março a 5 de Abril, Braga volta a viver intensamentea Semana Santa, que para além de manter todas as suas expressões da fé cristã, mantém a aposta num vasto programa cultural, elaborado com o contributo de todas as entidades que integram a Comissão da Quaresma e Semana Santa de Braga.

 

O programa de 2026 foi apresentado hoje, dia 12 de fevereiro, publicamente, na Sacristia-Mor da Se Catedral, destacando-se como novidade a aposta no reforço da presença no mundo digital e nas redes sociais, desde o início da Quaresma até ao final de Abril.

 

Em colaboração com uma jovem empresa bracarense da área do marketing digital e da comunicação estratégica, o objectivo da Comissão é chegar ao público mais jovem, como explicou o cónego Avelino Amorim, presidente da Comissão da Semana Santa de Braga. “Vamos procurar, semanalmente, ter uma presença mais regular no mundo digital e nas redes sociais para fazer chegar a
nossa mensagem às gerações mais jovens, que sabemos que é sobretudo aí, nesse mundo, que conseguimos comunicar com elas”, explicou.

 

O cónego Avelino Amorim sublinhou que ‘‘a experiência espiritual é o centro à volta do qual gravita toda a programação da Semana Santa”, realçando que ‘‘todas as celebrações da fé cristã
continuam a ser o fundamento que nos orienta enquanto Comissão”.

 

Destacou depois alguns momentos do programa, que arranca já na Quarta-feira de Cinzas, o início da Quaresma. ‘‘De 18 de Fevereiro a 5 de Abril, encontramos em Braga a oportunidade de percorrer um itinerário espiritual que contempla também a iniciativa ‘24 Horas para o Senhor’, diversas propostas de celebração de Via Sacras e Santos Passos, celebrações penitenciais e a possibilidade do Sacramento da Reconciliação”, destacou.

 

Tendo em vista a envolvência da comunidade, volta a realizar-se o concurso de desenho ‘A Se mana Santa de Braga’, com a participação das crianças do 1º Ciclo e consequente exposição dos trabalhos no Tesouro-Museu da sé e vai também ser dinamizado o II Concurso de Criatividade Sénior ‘Cruzes Floridas’. Na área da inclusão e sustentabilidade, a Comissão volta a disponibilizar espaços reservados para pessoas com mobilidade reduzida, nos percursos das procissões e nas celebrações. Novidade no programa é a Via Sacra ‘Da tradição à inclusão’, a 2 de Abril, com a colaboração do IRIS – Instituto de Reabilitação e Integração Social. No âmbito da sustentabilidade, a Comissão vai voltar a contar com serviços especiais dos TUB para as grandes procissões.

 

No ano passado, o estudo de impacto ambiental da Semana Santa revelou que a pegada ecológica do evento ‘‘é significativamente reduzida’’, mas mesmo assim a Comissão vai concretizar uma plantação de árvores no concelho, para “mitigar ainda mais” essa pegada.

 

Do vasto programa cultural, o cónego Avelino destacou dois momentos. A 14 de Março, no espaço Vita, é inaugurada a exposição ‘os Loghismoí’ de Giancarlo Pavanello. Nesse âmbito vai ser apre-
sentado, a 30 de Março, o livro ‘A estrela e o espelho’, com Guilherme Macedo, director do Serviço de Gastroenterologia do Hospital de S. João, D. Nélio Pereira Pita, bispo auxiliar de Bra-
ga, e de José Teixeira, presidente do grupo dst e zet gallery. O segundo momento acontecerá a 31 de Março, na Sé Catedral, e será um grande concerto com o Coro e Orquestra do Distrito de Braga, que apresentará a obra ‘Credo’ de Sousa Monteiro, a partir de manuscrito do século XIX encontrado no acervo da Biblioteca do Seminário Conciliar de Braga.

 

O cónego referiu ainda que vão decorrer várias iniciativas dirigidas ao público infanto-juvenil, que terão como palco o Palácio do Raio, o Museu Pio XII, o Tesouro-Museu da sé e o Braga Parque.

 

Por seu turno, João Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Braga, realçou a importância do apoio da Autarquia à Semana Santa para dar continuidade a esta tradição religiosa. “Enquanto Autarquia, nós temos a obrigação de continuarmos a prestar todos aqueles que são os apoios que são necessários para que tudo se desenvolva da melhor maneira, não esquecendo que, para além da Semana Santa, ao longo de toda a Quaresma, há uma série de iniciativas que se vão reproduzindo e repetindo todos os anos em diversas freguesias da cidade. É uma tradição que se vai vivendo em todo o território, não só no centro da cidade. Agradecemos a todas as instituições que têm vindo a colaborar na organização da Semana Santa e da Quaresma, a todas as empresas e às empresas municipais”, salientou o edil.

 

O autarca enalteceu a grandeza das celebrações que representam a identidade coletiva da cidade. “É uma oportunidade de mostrar a cidade, aquilo que somos e aquilo que conseguimos produzir enquanto comunidade”, expressou João Rodrigues.

 

Bernardo Reis, provedor da Santa Casa da Misericórdia, lembrou o crescimento que a Semana Santa de Braga tem vindo a ter ao longo dos anos, tanto a nível nacional, como internacional. “Os atos religiosos são intrínsecos à essência da Semana Santa”, frisou, anunciando que este será o seu último ano como provedor da Santa Casa da Misericórdia.

 

Por seu lado, Fernando Rodrigues, provedor da Irmandade de Santa Cruz, afirmou que a Semana Santa “é uma festa de Braga, para Braga e para o Mundo, sempre com foco na vivência, morte e paixão de Cristo”.

 

Também presente, Alberto Alves, presidente da Junta de Freguesia de São Victor, informou que a Procissão da Burrinha contará com cerca de 800 figurantes, com quadros bíblicos, num total de mil pessoas envolvidas na sua organização.

 

Daniel Vilaça, presidente da Associação Empresarial de Braga, espera que a Semana Santa volte a ter um grande impacto económico na cidade e ultrapassar os números de 2025, que contaram um máximo histórico de 14,6 milhões de euros, tendo expectativa que este ano possa ter um crescimento de 5 a 10%, ou seja, 16 milhões de euros.

 

Por fim, Marco Sousa, diretor operacional do Turismo Porto e Norte, deu conta que a Semana Santa é das celebrações que mais projeta Braga em termos internacionais. “A Semana Santa é única, e é por isso que a devemos promover pelo mundo fora”, sublinhou, enaltecendo o trabalho das diversas instituições que têm permitido essa projeção.

 

O programa completo para este ano pode ser acedido a partir da homepage do sítio oficial ou consultado aqui.

 

Visita Pascal das Paróquias

5 e 6 de abril, domingo e segunda-feira de Páscoa

 

O dia da Páscoa da Ressurreição é vivido no norte de Portugal, e particularmente em Braga, inspirado numa multisecular tradição, que lhe confere um sentido festivo e celebrativo ímpar. Desde os primórdios, a Igreja promoveu a Bênção das Casas, em dias diferenciados segundo cada época e cada região, mas privilegiando o tempo pascal, numa referência à primeira Páscoa, e à providência de Deus assinalada nas soleiras do Egipto.

Mais tarde, em plena Idade Média, esta forma ritual de bênção torna-se mais solene. A dimensão geográfica das paróquias e a suficiência de clérigos, permitia colocar a visitação e a bênção de todos os lares no próprio dia de Páscoa. Tomou, por isso, o nome de Visita ou Compasso Pascal.

 

Em nossos dias, e pela estreita relação do único mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, celebrado ao longo do Tríduo Pascal, o grupo visitador é presidido pelo pároco (ou alguém por si delegado) e constituído por alguns membros da comunidade paroquial. Conservando o rito de bênção das casas, inclui também um momento de oração comunitária e familiar, e termina com o ósculo da Santa Cruz, ou outro sinal de adoração.

 

Indica-se em seguida o programa da visita pascal das paróquias do centro da cidade.

 

 

5 de abril, domingo de Páscoa

 

8h00 | Santo Adrião

Início da Visita Pascal com a Eucaristia às 8h00 da manhã. Termina a Visita Pascal pelas 13h00. Às 18h00 procissão desde a capela de Santo Adrião, integrando os 22 grupos da visita pascal, até à Igreja Paroquial onde é celebrada a Eucaristia de Encerramento do Compasso.

 

9h00 | São Vicente

A Visita Pascal inicia às 9h00. Da Igreja Paroquial partem 24 grupos de anúncio de Cristo Ressuscitado por todas as ruas e casas da Paróquia, terminando pelas 13h30. Às 18h30 inicia a Procissão das Cruzes, desde o Largo dos Penedos até à Igreja de São Vicente, onde é celebrada Eucaristia às 19h00.

 

8h00 | Maximinos

Na paróquia de Maximinos, a Visita Pascal faz-se de manhã. Começa com a Eucaristia às 8h00. Pelas 9h00, saída do compasso pascal que se prolonga até às 13h00. Eucaristia pelas 19h00.

 

9h00 | São Vitor

A Visita Pascal inicia às 9h00 com saída dos Compassos Pascais, desde a Capela do Seminário (na rua de Santa Margarida) e da Capela das Religiosas do Sagrado Coração de Maria (num total de 29 grupos). Estes grupos recolhem às 12h30, para a celebração da Eucaristia, na Capela do Seminário (na rua de Santa Margarida). Da parte de tarde, pelas 15h00, partem mais 14 grupos (e ainda outros 6 para fazer a Visita Pascal no Hospital de Braga). Por volta das 19h00 reúnem-se na Rua Elísio de Moura ( junto da Farmácia Pimentel), de onde se dirigem, em solene procissão, para a Capela do Seminário (na rua de Santa Margarida), concluindo com a celebração da Eucaristia.

 

São Lázaro

7h45, Eucaristia

9h00 – 13h00, Visita Pascal

13h00, Procissão de Encerramento – na Igreja

17h30, Eucaristia

Celebração da Eucaristia às 7h45 e 17h30. O Compasso Pascal, composto por 29 grupos, visita as famílias com início às 9h00 e conclusão às 13h00.

 

Sé / São João do Souto / Cividade

8h30, Eucaristia com participação de todos os grupos de Visita Pascal.

09h30, saída de todos os grupos pelo centro Histórico e Urbanização das Parretas.

11h00, Visita pascal à Câmara Municipal de Braga

11h30, Eucaristia na Catedral presidida por Sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Arcebispo

18h00, Eucaristia na Sé Catedral

 

 

6 de abril, segunda-feira de Páscoa

 

Páscoa da Cónega

8h30, Eucaristia na Sé Catedral

9h30, Saída da Catedral de Braga de 4 grupos acompanhados por Banda de Música seguida de Visita Pascal na Urbanização da Quinta das Hortas.

20h00, Subida da Rua da Boavista (Cónega), em cortejo, dos quatro grupos de Visita, seguidos pelo povo, rumo à Catedral, onde há um tempo de adoração e Bênção do Santíssimo.

Missa Solene do Domingo de Páscoa

5 de abril, domingo de Páscoa, 11h30  |  Catedral de Braga

 

Todo o Domingo é um dia pascal, porque simboliza e evoca, no ritmo cristão das semanas, o primeiro dia do mundo novo inaugurado com a Ressurreição de Cristo. O Domingo de Páscoa é, nesse sentido, o paradigma de todos os domingos. Por isso proclama a Liturgia: – «Este é o dia que o Senhor fez! Exultemos e cantemos de alegria!» Por isso também, nele, a Igreja celebra com especial solenidade a Eucaristia, memorial que recorda aquele mistério.

Vigília Pascal e Coroação da Imagem de Nossa Senhora das Dores

4 de abril, sábado Santo, 21h30  | Basílica dos Congregados

 

Prática integrada na secular devoção de Nossa Senhora das Dores nesta Basílica. Decorre na noite do Sábado Santo, mais propriamente no final da celebração da Vigília Pascal, momento em que a imagem de Nossa Senhora é coroada, sendo-lhe retiradas as sete espadas em alusão à alegria da ressurreição.

Vigília Pascal e Procissão da Ressurreição

4 de abril, sábado Santo, 21h00  |  Catedral de Braga

 

Para a Vigília Pascal convergem todas as celebrações da Semana Santa e mesmo de todo o Ano Litúrgico. Lembrando a grande noite de vigília do povo hebreu no Egipto, aguardando a hora da libertação (Ex 12), nela celebram os cristãos a sua própria redenção pelo mistério da Ressurreição de Cristo. Por ela se realiza a grande Páscoa ou Passagem da morte para a vida ou do estado de perdição para o estado de salvação. É a vitória final de Deus, em Cristo, sobre o pecado, o mal e a própria morte. No plano espiritual, os cristãos apropriam-se da graça desta passagem pelo Batismo. Por isso, a liturgia batismal tem aqui um lugar de destaque.

A Vigília Pascal – chamada por Santo Agostinho «a mãe de todas as Vigílias» – é uma soleníssima celebração, muito rica de simbolismo global e de símbolos particulares: as trevas, a luz, a água, o círio pascal, a cor alegre dos paramentos, a explosão de som e luz.

 

Integra quatro partes e conclui com a Procissão da Ressurreição:

 

1ª Parte

Liturgia da Luz

Com Cristo ressuscitado, a Luz brilhou nas trevas. O círio pascal, que O simboliza, é benzido, conduzido em procissão e colocado diante da assembleia. Os participantes são convidados a terem nas mãos velas acesas, imitando aqueles servos de que fala o Evangelho (Lc 12, 35-37), os quais esperam, vigilantes, o seu Senhor que os fará sentar à sua mesa. Esta parte termina com o canto do Precónio (Pregão), anunciando solenemente a vitória de Cristo.

 

2ª Parte

Liturgia da Palavra

Narram-se os gestos maravilhosos de Deus na história da salvação, desde a Criação do mundo até ao grande gesto da «Nova Criação» pela ressurreição de Cristo, início e primícias de um mundo novo. As leituras são intercaladas por aclamações, a última das quais é o canto do Aleluia pascal. Ao cântico de Glória, a Catedral escurecida torna-se, de repente, uma explosão de luz.

 

3ª Parte

Liturgia Batismal

Invocam-se os santos, com o canto da Ladainha. Benze-se a água do Batismo, que é levada em procissão. Asperge-se o povo. Renovam-se as promessas do Batismo. Se há batizandos, é-lhes ministrado este Sacramento.

 

4ª Parte

Liturgia Eucarística

Celebração festiva da primeira Missa da Páscoa.

No final da Missa, o Santíssimo Sacramento, que estivera encerrado na urna com um manto negro, é colocado na custódia e trazido para o altar-mor. Organiza-se a Procissão da Ressurreição, própria do Rito Bracarense, pelas naves da Catedral. De novo no altar-mor, Cristo vivo na Hóstia branca abençoa todos os fiéis, que dele se despedem ouvindo e cantando o Regina Coeli, laetare (Rainha dos Céus, alegrai-vos), em modo de parabéns àquela que de Senhora das Dores se transformou em Senhora da Alegria.

Celebração da Morte do Senhor

3 de abril, sexta-feira Santa, 15h00  |  Catedral de Braga

 

Às 15h, em doze locais da cidade, há lançamento de morteiros assinalando a morte de Jesus. Convidam a um minuto de silêncio em Sua memória.

 

À mesma hora em que Cristo expirou, os cristãos celebram o mistério da sua Morte redentora. Não há Missa, como seu memorial, mas comemoração direta, integrando a sequência do atos seguintes:

 

1ª Parte Liturgia da Palavra

Leituras alusivas ao sacrifício de Cristo, intercaladas com cântico de salmos, e narração da Paixão de Jesus segundo S. João. O Bispo que preside profere a homilia, tradicionalmente conhecida como Sermão do Enterro.

 

2ª Parte Oração universal

Sequência de orações pelas necessidades da Igreja e do mundo.

 

3ª Parte Adoração da Cruz

Depois de conduzida, encoberta, ao Bispo Presidente, este proporciona ao povo a progressiva descoberta do seu mistério — «Eis o madeiro da Cruz!» — , ao mesmo tempo que o convida à sua adoração: — «Vinde, adoremos!». E todo o povo desfila, então, aproximando-se para beijar e adorar o que foi o preço da sua redenção.

 

4ª Parte Comunhão eucarística

Comungando o Corpo de Cristo, os fiéis lembram as palavras de S. Paulo: «Sempre que comerdes deste pão […] anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha» (1 Cor 11, 26).

 

 

Segue-se a Procissão Teofórica do Enterro.

A Procissão Teofórica do Enterro é um cerimonial integrado na celebração que comemora a morte de Cristo. Realiza-se na tarde da Sexta-Feira Santa no interior da Catedral de Braga. Nesta procissão, uma escultura de Jesus Cristo morto, encerrada numa urna, coberta com um manto preto, é levada pelas naves da Catedral — daí o nome de procissão teofórica (que transporta Deus) — sendo posteriormente colocada numa capela lateral onde é exposta à veneração. Este cerimonial, que se insere numa tradição medieval associada aos chamados ritos da depositio (deposição), terá sido introduzido na Catedral de Braga no século XVI, dado que apenas é referenciado na versão do Rito Bracarense de 1558.

 

Os que integram esta procissão cobrem a cabeça e o rosto em sinal de luto. Dois meninos ou duas senhoras, alternando com responsórios do coro, cantam em latim e em tom de comovido, o lamento: «Heu! Heu! Domine! Heu! Heu! Salvator noster!» (Ai! Ai! Meu Senhor! Ai! Ai! Salvador nosso!).

Ofício de Laudes (Sábado Santo)

4 de abril, Sábado Santo, 10h00  |  Catedral de Braga

 

Com alocução do Presidente.

Terminadas as Laudes os Capitulares presentes acolhem os penitentes que desejarem receber o Sacramento da Reconciliação (confissão).

 

Durante o dia, visita ao Santo Sepulcro (na capela de Nª Sra. do Sameiro, Sé Catedral) onde permanece a Sagrada Eucaristia.

 

À noite, também na Catedral, celebra-se a Vigília Pascal e procede-se à Procissão da Ressurreição.

Lava-Pés e Missa da Ceia do Senhor

2 de abril, quinta-feira Santa, 16h00  |  Catedral de Braga

 

A anteceder a Missa da Ceia do Senhor, o Arcebispo que preside lava os pés a doze pessoas que representam os doze Apóstolos.

Assim se comemora o que fez Jesus e se atualiza a sua eloquente lição: «Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, levou até ao extremo este seu amor. […] Levantou-se da mesa, depôs as vestes e tomando uma toalha pô-la à cinta. Depois de lhes lavar os pés […], disse-lhes: ‘Compreendestes o que vos fiz? Vós chamais-me Mestre e Senhor e dizeis bem porque Eu o sou. Ora, se Eu, sendo Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também’» (Jo 13, 1-15).

 

Terminado este rito, segue-se a Missa da Ceia do Senhor. É uma celebração dominada pelo sentimento do amor de Cristo que, na véspera da sua Paixão, enquanto comia a Ceia com os discípulos, instituiu o Sacrifício-Sacramento da Eucaristia, como memorial da sua Morte e Ressurreição a celebrar, tornando-o sempre atual, no decurso dos tempos: «Durante a ceia, tomou o pão dizendo: – ‘Tomai e comei. Isto é o meu corpo, entregue por vós.’ Do mesmo modo, tomou o cálice e, dando graças, deu-o aos discípulos dizendo: – ‘Tomai e bebei todos. Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna Aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de Mim’» (Lc 22, 19-20).

No momento próprio, o Presidente da celebração faz a homilia apropriada, com especial incidência na lição do lava-pés e no «mandamento novo» deixado por Jesus como testamento espiritual para os seus discípulos (Sermão do Mandato). «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. […] É nisso que todos reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei a vós» (Jo 13, 34-35).

Terminada a missa, Cristo vivo presente na Hóstia consagrada é conduzido em procissão pelas naves da Catedral para um lugar de adoração (a representar o Horto das Oliveiras), onde permanecerá até ser dali retirado, também processionalmente, no dia seguinte, para o sepulcro. Os fiéis são convidados a velarem com Ele, na hora da sua Paixão. Em sinal de luto, o altar é desnudado.

 

Durante a tarde

 

A visita às Sete Igrejas é uma tradição ancestral associada à vivência da Quinta-Feira Santa na cidade de Braga. Esta prática devocional está vinculada à realização da Procissão das Endoenças que as Misericórdias organizavam.
O imaginário que preside a esta prática estará certamente relacionada com as sete igrejas de peregrinação da cidade de Roma, que os fiéis devem visitar sempre que é proclamado Ano Santo. Hodiernamente este costume mantém-se. As sete igrejas são “marcadas” com uma cruz da paixão junto da sua porta de entrada. Durante a tarde de Quinta-Feira Santa, os fiéis são convidados a visitarem sete igrejas da cidade de Braga: Catedral de Braga, Misericórdia, Santa Cruz, Terceiros, Salvador, Igreja do Pópulo e Conceição.

 

Ao mesmo tempo, um grupo de farricocos, percorre o centro da cidade, com as suas ruidosas matracas. Na sua origem pagã, eram um grupo de mascarados que percorria as ruas, anunciando a passagem dos condenados e relatando os seus crimes. Já «cristianizados», em tempos antigos, conforme a mentalidade de então, percorriam as ruas chamando os pecadores públicos à sua reintegração na Igreja, depois de arrependidos e perdoados. Era a forma do tempo, de entender a misericórdia para com os pecadores, aos quais tinha sido aplicada a indulgência (ou «endoença»). Atualmente, atribui-se-lhe um significado substitutivo e residual, de chamamento dos Irmãos da Misericórdia para a procissão da noite. O uso das ruidosas «matracas» para este efeito foi instituído em anos remotos para substituir o toque dos sinos, que nos dias maiores da Semana Santa ficavam silenciosos.

Missa Crismal e Bênção dos Santos Óleos

2 de abril, quinta-feira Santa, 10h00  |  Catedral de Braga

 

Neste dia a Igreja lembra o início da Paixão do seu Senhor, comemorando especialmente os seguintes acontecimentos: instituição do sacerdócio; instituição da Eucaristia; agonia de Jesus e seu julgamento. Neste dia, embora discretamente, se faz também memória da antiga tradição das «endoenças» (indulgência ou perdão concedidos aos pecadores públicos).

 

Comemorando a instituição do sacerdócio, o Arcebispo Primaz faz-se acompanhar de todo o clero da Arquidiocese e com este, como presbitério participante do seu pleno sacerdócio, concelebra a Eucaristia. Durante a celebração, consagra os Santos Óleos, que serão levados pelos presbíteros para as suas paróquias a fim de servirem para ungir os batizandos e os doentes.