Ofício de Laudes, com alocução do Presidente.
Terminadas as Laudes os Capitulares presentes acolhem os penitentes
que desejarem receber o Sacramento da Reconciliação (confissão).
Neste dia a Igreja lembra o início da Paixão do seu Senhor, comemorando especialmente os seguintes acontecimentos: instituição do sacerdócio; instituição da Eucaristia; agonia de Jesus e seu julgamento. Neste dia, embora discretamente, se faz também memória da antiga tradição das “endoenças” (indulgência ou perdão concedidos aos pecadores públicos).
Comemorando a instituição do sacerdócio, o Arcebispo Primaz faz-se acompanhar de todo o clero da Arquidiocese e com este, como presbitério participante do seu pleno sacerdócio, concelebra a Eucaristia. Durante a celebração, consagra os Santos Óleos, que serão levados pelos presbíteros para as suas paróquias a fim de servirem para ungir os batizandos e os doentes.
Lava-Pés e Missa da Ceia do Senhor
A anteceder a Missa da Ceia do Senhor, o Arcebispo que preside lava os pés a doze pessoas que representam os doze Apóstolos. Assim se comemora o que fez Jesus e se atualiza a sua eloquente lição: «Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, levou até ao extremo este seu amor. […] Levantou-se da mesa, depôs as vestes e tomando uma toalha pô-la à cinta. Depois de lhes lavar os pés […], disse-lhes: ‘Compreendestes o que vos fiz? Vós chamais-me Mestre e Senhor e dizeis bem porque Eu o sou. Ora, se Eu, sendo Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também’» (Jo 13, 1-15).
Terminado este rito, segue-se a Missa da Ceia do Senhor. É uma celebração dominada pelo sentimento do amor de Cristo que, na véspera da sua Paixão, enquanto comia a Ceia com os discípulos, instituiu o Sacrifício-Sacramento da Eucaristia, como memorial da sua Morte e Ressurreição a celebrar, tornando-o sempre atual, no decurso dos tempos: «Durante a ceia, tomou o pão dizendo: — ‘Tomai e comei. Isto é o meu corpo, entregue por vós.’ Do mesmo modo, tomou o cálice e, dando graças, deu-o aos discípulos dizendo: — ‘Tomai e bebei todos. Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna Aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de Mim’» (Lc 22, 19-20).
No momento próprio, o Presidente da celebração faz a homilia apropriada, com especial incidência na lição do lava-pés e no «mandamento novo» deixado por Jesus como testamento espiritual para os seus discípulos (Sermão do Mandato). «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. […] É nisso que todos reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei a vós» (Jo 13, 34-35).
Terminada a missa, a assembleia canta a hora de Vésperas, enquanto que o Cristo vivo presente na Hóstia consagrada é conduzido em procissão pelas naves da Catedral para um lugar de adoração (a representar o Horto das Oliveiras), onde permanecerá até ser dali retirado, também processionalmente, no dia seguinte, para o sepulcro. Os fiéis são convidados a velarem com Ele, na hora da sua Paixão. Em sinal de luto, o altar é desnudado.
Durante a tarde, os fiéis são convidados a visitarem as sete igrejas, que representam as Sete Estações de Roma — Sé Primaz, Misericórdia, Santa Cruz, Terceiros, Salvador, Penha e Conceição / Mons. Airosa.
Ao mesmo tempo, um numeroso grupo de farricocos, percorre o centro da cidade, com as suas ruidosas matracas. Na sua origem pagã, eram um grupo de mascarados que percorria as ruas, anunciando a passagem dos condenados e relatando os seus crimes. Já “cristianizados”, em tempos antigos, conforme a mentalidade de então, percorriam as ruas chamando os pecadores públicos à sua reintegração na Igreja, depois de arrependidos e perdoados. Era a forma do tempo, de entender a misericórdia para com os pecadores, aos quais tinha sido aplicada a indulgência (ou “endoença”). Atualmente, atribui-se-lhe um significado substitutivo e residual, de chamamento dos Irmãos da Misericórdia para a procissão da noite. O uso das ruidosas “matracas” para este efeito foi instituído em anos remotos para substituir o toque dos sinos, que nos dias maiores da Semana Santa ficavam silenciosos.
Procissão do Senhor «Ecce Homo»
Organizada desde tempos antigos, esta procissão evoca o julgamento de Jesus, ao mesmo tempo que celebra a misericórdia por Ele ensinada. Abre o cortejo o exótico grupo dos farricocos com grosseiras vestes de penitência, descalços e encapuçados, de cordas à cinta, como outrora os penitentes públicos, uns empunhando matracas e outros alçando fogaréus (taças com pinhas a arder). Daí chamar-se também “Procissão dos Fogaréus”. Integrados na procissão, os fogaréus evocam os guardas que, munidos de archotes, foram, de noite, prender Jesus.
A imagem do Senhor “Ecce Homo” (ou “Senhor da cana verde”) representa o Cristo que se declarara rei e que o governador romano pôs a ridículo pondo-lhe na mão um simulacro de ceptro (uma cana verde). Foi assim que Pilatos o apresentou à multidão, dizendo: — “Eis aí o Homem!”.
Além de muitas figuras alegóricas da Ceia e do julgamento de Jesus, desde 2004 incorporam-se na procissão alegorias das catorze obras de misericórdia, bem como figuras históricas ligadas à fundação e à história das Misericórdias, especialmente à de Braga. Desde há alguns anos incorporam-se também várias Irmandades da Misericórdia de diversos pontos do País.
– Organização da Irmandade da Misericórdia –
Itinerário (ver também o mapa interativo)
Igreja da Misericórdia — Rua D. Diogo de Sousa — Arco da Porta Nova — Av. S. Miguel-o-Anjo — Rua D. Paio Mendes — Rua D. Gonçalo Pereira — Largo de S. Paulo — Largo de Paulo Orósio — Rua do Alcaide — Campo de Santiago — Rua do Anjo — Rua de S. Marcos — Largo Barão de S. Martinho — Rua do Souto — Largo do Paço — Igreja da Misericórdia.
Exposição dos Paramentos Litúrgicos na Quaresma e na Semana Santa
– Organização da Santa Casa da Misericórdia de Braga –
Patrocínio: BPI
Exposição das fotos premiadas na 7ª edição do Concurso de Fotografia (2015)
– Organização da Comissão da Semana Santa –
Apoio da Câmara Municipal de Braga e do Turismo do Porto e Norte de Portugal
Em exposição algum do valioso espólio da Irmandade.
– Organização da Irmandade de Santa Cruz –
– Organização da Câmara Municipal de Braga e da Comissão da Semana Santa –
Exposição de cartazes da Semana Santa de Braga, desde 1948 até 2015.
“A Semana Santa de Braga é, no presente, o mais importante evento do calendário anual do município de Braga. Fenómeno turístico, este evento envolve a comunidade num ambiente e vivência muito particular, apelando às raízes cristãs que acompanharam a história da própria cidade. As solenidades bracarenses surgem hoje com um programa unificado e com uma comissão organizadora que tenta mobilizar as entidades civis e religiosas em torno de objetivos comuns, porém, no passado, estava integrada nas dinâmicas próprias do tecido organizacional das instituições religiosas da cidade.
A história gráfica deste evento não é tão longa como, por exemplo, a das Festas de São João, celebrações oficiais do município que já detinham um nível de organização e envolvimento social anterior. Foi o Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), estrutura do Estado Novo reformulada em 1944, que decidiu trabalhar turisticamente as celebrações da Semana Santa bracarense a partir de 1948. Por isso mesmo, o mais antigo cartaz do evento remonta apenas a esta data.
Quer isto dizer que a Semana Santa de Braga apenas se começou a realizar a partir de 1948? Não. Significa simplesmente que o conjunto de cerimoniais públicos realizados durante este período do calendário anual na cidade de Braga, por intermédio de diferentes corporações religiosas, foi integrado num único programa e trabalhado do ponto de vista promocional a partir desta data. Como sabemos, desde que o cristianismo se implantou no nosso território que existem manifestações rituais que memoram a crucificação e morte de Jesus Cristo. Aliás, a procissão com mais antigo registo da Semana Santa de Braga é a Procissão das Endoenças, que detém notícias desde 1628. A história gráfica da Semana Santa de Braga, podemos dizer, inicia-se em 1948 com a conceção do primeiro cartaz registado das celebrações.
A partir daí, detemos um número significativo de imagens ilustradas com o objetivo de anunciar e promover a edição anual das Solenidades da Semana Santa. A mais imediata observação fornece-nos algumas indicações básicas, desde logo a tonalidade dominante. O roxo e o negro são as opções mais óbvias como contexto formal do desenho, cores obviamente associadas ao ciclo litúrgico em que a Igreja recorda a Paixão de Cristo – a Quaresma – e também a cor mais associada ao luto e à morte. Existem alguns cartazes que derivaram episodicamente para o azul ou vermelho borgonha, cores aproximadas do roxo.
Analisando as ilustrações, o farricoco salienta-se como o elemento iconográfico mais utilizado nos sucessivos cartazes. Esta figura, tipicamente bracarense, representa os penitentes, que hoje são símbolo da Semana Santa, mas que outrora pungiam os seus pecados ao longo do percurso das procissões. A cruz é também elemento primordial de representação, embora esta não replique qualquer formato especificamente bracarense, mas se revele através de incomensuráveis formas de reprodução. A mais frequente é a cruz do descimento, representação desnuda do crucifixo com as hastes laterais envolvidas num tecido branco.
Apesar de alguns dos cartazes apresentarem configurações genéricas da cenografia da Paixão de Cristo, a maior parte tenta integrar elementos típicos do cerimonial público das Solenidades de Braga. A imagem do Senhor dos Passos, protagonista da procissão homónima organizada pela Irmandade de Santa Cruz, por duas vezes (1972 e 2008); e a imagem do Senhor Ecce Homo, incardinada na procissão da Irmandade da Misericórdia, igualmente por duas vezes (em 1975 e 1988), foram também recursos iconográficos dos cartazes da Semana Santa.
A centralidade do espaço físico da Sé Primaz é inequívoca nestas celebrações e isso mesmo está também patente nas opções iconográficas dos cartazes. Portadora das principais dinâmicas sociais e religiosas de Braga ao longo de vários séculos, a Catedral é igualmente sede espácio-temporal dos acontecimentos que envolvem e determinam a Semana Santa enquanto realidade unívoca. A igreja de Santa Cruz (1988), o Arco da Porta Nova (1953 e 1983) e a Capela dos Coimbras (1977) também foram opção cenográfica.
No que concerne à elaboração dos projectos e conceção visual dos cartazes salienta-se inevitavelmente o nome de José Veiga (1925-2002), artista popular bracarense a quem se devia também a autoria dos projectos das decorações de rua associados à Semana Santa. Desde 1957 e, salvo raras exceções, até ao ano da sua morte, o mestre Veiga imprimiu o seu estilo na imagem associada às celebrações bracarenses. O farricoco, elemento determinante do cartaz no seu ano de estreia, foi a representação mais repetida nos seus cartazes, contudo os demais elementos presentes nas procissões foram também um recurso frequente nas ilustrações: por exemplo estandartes processionais (1992 e 1999), pálio (1984) ou umbela basilical (1998). Nomes como Alvim Braga ou Faria Barbosa e, mais recentemente, a agência criativa Paleta de Ideias também se responsabilizaram pela conceção da imagem gráfica do evento.
A evolução gráfica denotada na mais imediata avaliação dos cartazes expostos revela também a própria evolução das técnicas de conceção e impressão de cartazes. A maior parte resulta de conteúdos ilustrados manualmente e, progressivamente, de trabalho sobre fotografias. Mais recentemente o design digital substituiu naturalmente as técnicas tradicionais. No capítulo das artes gráficas, as litografias foram sendo substituídas pela impressão através de fotolito particularmente a partir de finais da década de 1970. Hoje em dia o sistema CTP (Computer To Plate) é o mais frequente, facto que acaba por ser determinante na qualidade da execução gráfica dos cartazes. Convém recordar que todos os cartazes expostos são réplicas impressas, não correspondendo a versões originais.
Entretanto, a conceção dos cartazes acabaria por influenciar as opções iconográficas a utilizar nas decorações das ruas, particularmente a partir da década de 1990, quando os tecidos deram lugar a estruturas desenhadas. As ruas da cidade, escurecidas pelos tons roxo e negro, completam o cenário triste e soturno da Semana Santa bracarense.”
[Rui Ferreira, CMB 2015]
– Organização da Santa Casa da Misericórdia de Braga e da Câmara Municipal de Braga –
Patrocínio: Hospital de Braga
Pintura a óleo de Francisco Neto
– Comissão Organizadora da Procissão da Burrinha –
Apoio do Ayuntamiento de A Guarda